Publicado em 13/09 - 12h23min, Fonte: Radar64 - MATÉRIA COM ( ) exibições

Por que as baleias encalham?

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Os dois primeiros meses da temporada de baleias jubarte no Brasil apontam um recorde no número de encalhes do animal na costa brasileira. Já são mais de 34 ocorrências até agora, superando os 30 encalhes no mesmo período do ano passado. 

O número de encalhes vem crescendo de forma muito rápida e promete superar o recorde de 2007, quando foram registradas 41 ocorrências em toda a temporada. O maior número de encalhe está na Bahia e no Espírito Santo, áreas de reprodução destes mamíferos, com mais de 24 casos. 

O Instituto Baleia Jubarte monitora de forma sistemática, desde 2002, os encalhes de baleias e golfinhos ao longo do litoral desde Belmonte, Bahia, até Santa Cruz, no Espírito Santo. No Litoral Norte da Bahia, o registro e o resgate de grandes baleias acontece desde 2005. 

Nos casos de animais vivos, as equipes do IBJ trabalham para que, se possível, eles sejam devolvidos ao mar com vida. Isto nem sempre acontece, pois muitas vezes já encalham doentes ou se debilitam quando encalhadas. 

Nos casos em que os animais vão a óbito ou já encalham mortos, pesquisadores o examinam para tentar determinar a causa da morte. “Nosso intuito é saber o que está ocasionando os óbitos, para minimizar os riscos, mas nem sempre o diagnóstico da causa da morte é possível, pois o animal pode chegar à praia em avançado estado de decomposição”, diz o veterinário e coordenador de Pesquisa do Instituto Baleia Jubarte, Milton Marcondes. 

Entre as possíveis causas de mortalidade destes mamíferos estão doenças, a presença de parasitas no ouvido interno causando desorientação, disputas por fêmeas nos grupos de acasalamento, emalhamento em redes de pesca, mudanças climáticas e colisão com embarcações. 

A colisão figura entre as de menor ocorrência. Desde 2002, há apenas o registro de um caso confirmado de uma baleia que morreu em função de atropelamento por embarcação. Isso ocorreu em setembro de 2009, no litoral do Espírito Santo. Não foi possível, até o momento, identificar qual o tipo de embarcação que ocasionou o acidente. “É preciso cuidado ao se afirmar quais as causas mais freqüentes de óbito em cetáceos, pois nem sempre a causa mais encontrada é necessariamente a mais freqüente (pode ser apenas a mais persistente ou a mais fácil de diagnosticar”, afirma Marcondes.

O atropelamento de baleias por qualquer tipo de embarcação é uma preocupação crescente em todo o mundo já que, em qualquer região onde haja agregação de baleias e tráfico de embarcações, existe risco de ocorrer um acidente. Para evitar problemas no Banco de Abrolhos, o Instituto Baleia Jubarte auxilia no estabelecimento das rotas para as barcaças que transportam celulose e eucalipto na região. Após realizar estimativas de população e distribuição por sobrevôo foi estabelecida uma rota costeira, passando por áreas com menor concentração de baleias. 

Em parceria com o Instituto Baleia Jubarte, a Veracel Celulose investe no projeto de monitoramento de cetáceos no trecho entre Belmonte (BA) e Barra do Riacho (ES), trajeto percorrido pelas barcaças da empresa, e também por centenas de baleias jubarte. Prática inédita no Brasil, o monitoramento atende a uma condicionante do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para o funcionamento do Terminal Marítimo de Belmonte (TMB) e tem como objetivo viabilizar o acompanhamento e a fiscalização da passagem das barcaças, na zona de amortecimento do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, estabelecendo, assim um programa de monitoramento de cetáceos na rota percorrida. “Nós monitoramos a rota desde o início e até hoje nenhum indício de interferência significativa foi encontrado”, revelou Eduardo Camargo, coordenador do Instituto Baleia Jubarte, em Caravelas. 

São três tipos de monitoramento: um deles é o monitoramento embarcado, quando os pesquisadores do IBJ percorrem toda a rota da barcaça, avaliando a presença de baleias. O segundo, ocorre a cada três anos, quando o Instituto realiza o monitoramento aéreo, no qual os pesquisadores sobrevoam toda a região (de Belmonte a Barra do Riacho). O terceiro monitoramento conta também com a colaboração das comunidades do litoral, por meio de uma rede de contatos.